A Vídeo aula de hoje tem o título: Aprender com Vídeo e a Câmera. Para Além das Câmeras, ás ideias. Vamos aprender um pouco sobre o uso das câmeras e o processo de construção do conhecimento que traz o uso dessa ferramente na contemporaneidade.
Na nossa vídeo aula, vamos refletir a partir da frase famosa, cunhada
por Glauber Rocha (um dos grandes nomes do cinema brasileiro), que afirma "o cinema é uma câmera na mão e uma
idéia na cabeça", já exaustivamente repetida, talvez estivesse também
imaginando, como grande visionário que era, as inúmeras possibilidades de uso
de narrativas audiovisuais que as novas câmeras de vídeo, bem mais amigáveis do
que as de cinema, trariam.
Numa perspectiva
de pedagogia de projetos uma delas deveria ser justamente esta: a de integrar
todas as linguagens que as diferentes mídias permitem e realizar uma grande
conversa entre elas. Uma conversa que, ao acontecer dentro das escolas,
permitisse o acesso não apenas às máquinas – em torno das quais, muitas vezes,
ficam reduzidas as discussões sobre a tecnologia – mas, sobretudo, às diversas
formas de expressão que cada uma delas possa despertar em professores e alunos.
Com uma câmera de
vídeo dentro da sala de aula ou da escola, os alunos, ao criarem seus próprios
produtos audiovisuais, tendem a repetir os modelos massificados que estão
acostumados a ver diariamente nas telas da televisão e, em menor escala, do
cinema. Foram alfabetizados dessa forma, aliás como todos os que vivenciam essa
sociedade de imagens e sons reproduzidos de tal maneira a alcançar cada lugar
do país (talvez do mundo) onde exista energia elétrica.
Tudo, quanto mais
se aperfeiçoam as técnicas, sobretudo as digitais, pode ser reproduzido,
repetido, repensado, refeito, ao infinito, sem que com isso se perca o sentido
primordial do ato de criar, ou seja, sua originalidade. Tudo fica a depender de
como esse trabalho de criação aconteça.Talvez o grande desafio para a educação
na sociedade telemidiática seja justamente o de estimular a expressão dessa
complementaridade que permanece, muitas vezes, latente entre a educação e as
mídias, em especial a televisão, por ser aquela que, hoje, consegue alcançar o
maior número de pessoas e compõe, de igual maneira, o cotidiano de professores e
alunos, supera a hierarquia imposta pela escola e transforma todos os
envolvidos no processo em telespectadores dos mesmos programas, das mesmas
imagens e sons.
Apreender essa
linguagem que é outra e a mesma sempre é, pois, um desafio para todos,
ultrapassando a idéia de aprender e ensinar que marca fortemente a educação. A
televisão expressa uma linguagem pública, por isso mesmo alegórica, feita para
uma massa de pessoas que conhece seus rudimentos e, muitas vezes, adentrou o
universo da linguagem audiovisual sem dominar os códigos da língua escrita.Essa
nova cultura telemidiática, ou seja, essa nova forma de estar no mundo, está a
desafiar professores, alunos, sistemas de ensino. Todos podem aprender com a
televisão, que, aliada a outras técnicas, está aí exigindo uma nova postura
educacional da sociedade.
Educar para a
televisão envolve ações que procuram, principalmente, formar um telespectador
criterioso, que saiba ver com clareza o que lhe é apresentado, que possa escolher
com competência o que deseja, ou não, ver. Educar com a televisão abrange
atividades que lançam mão da linguagem televisiva para a apresentação e o
desenvolvimento de determinados assuntos ou conteúdos.
Nesse sentido,
parece ficar mais urgente ainda a criação de projetos que procurem superar esse
fosso existente entre o saber-fazer e o saber-usar, entre as manifestações
culturais e as educacionais, entre a tradição e o novo.Uma educação que envolva
a mídia precisa revelar o cerne da linguagem e dos produtos dessa cultura
audiovisual, buscando aprofundar a compreensão da forma de expressão
televisiva, assim como é feito há muito nas escolas, com maior ou menor
sucesso, com a literatura, por exemplo, para além da simples recepção e
produção.
A escola está tão
preocupada com sua própria estrutura feita de conteúdos, de grades
curriculares, de seriações, que se esquece de ver e de sentir outras dimensões
das coisas, das narrativas que utiliza, enfim, da própria vida que pulsa dentro
e fora dela.Para que aconteça uma projeção, são necessários verdadeiros
malabarismos, novos arranjos de turmas, horários extras, acordos apressados.
Tudo isso porque a escola ainda é uma instituição muito restrita a duas
linguagens apenas: a escrita e a oral. Os novos meios, mesmo incorporando os
antigos, ao criarem as novas linguagens propõem igualmente novas formas de
estar no mundo e – por que não? – também na escola.
Nos dias atuais
se exige uma preparação prévia que, talvez, possa evitar uma prática recorrente
nas escolas que é a da utilização dos produtos da linguagem audiovisual para
passar o tempo vago ou liberar o professor para a realização de outras
atividades.O processo educacional com o uso de recursos audiovisual alcança
níveis da percepção humana que outros meios não. E, para o bem ou para o mal, podem
se constituir em fortes elementos de criação e modificação de desejos e de
conhecimentos, superando os conteúdos e os assuntos que os programas pretendem
veicular e que, nas escolas, professores e alunos desejam receber, perceber e,
a partir deles, criar os mecanismos de expansão de suas próprias idéias.
COUTINHO, Laura Maria. Aprender com Vídeo e a Câmera. Para Além das Câmeras, ás idéias. Tecnologia, currículo e projetos. Disponível em:<http://portal.mec.gov.br/seed/arquivos/pdf/1sf.pdf> Acesso em: 10 de Maio de 2019. ( pág. 18-21).
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